quarta-feira, 17 de setembro de 2014

Aquele em que eu fiquei braba com os apps de cotação humana e tomei as dores da Nigella

Lulu, tubby, Nigella, agressão e cocaína

Bode desse assunto do apps que classificam homens e mulheres de acordo com suas performances sexuais. Esses brinquedos pra mim têm tanta credibilidade quanto a vejinha: jamais comeria ou deixaria de comer baseada no que a revista publica.
Vi uma tela de suposta avaliação feminina no tubby esses dias e não entendi patavina: a guria vinha com as hashtags #AnalVoluntário, #MamaMeOlhando #MandaFotoNuaNoWhatsapp e várias outras indicando que ela adora dar e dá faceira. Mas a nota era um 7,5 mixuruca. Pô, um currículo desses e passa por média raspando? Fiquei me perguntando o que precisa fazer pra ganhar um 10. Será que o caminho é ser ainda mais libertina? Ou eles gostam mesmo é das pudicas, que não transam antes do terceiro encontro e gozam rapidinho, sem dar muito trabalho? Fica a dúvida.
Quero acreditar que meus contatos por aqui (homens E mulheres) não darão ibope pra essas ferramentas, que têm muito mais cara de desforra dos recalcados do que serviço de utilidade pública, como a CEO do lulu anda sustentando por aí.
Mas o que a Nigella tem com isso? Pois bem, meses atrás o mundo viu a deusa da cozinha passar por maus bocados nas mãos do próprio marido. Charles Saatchi apertou o pescoço da mulher com violência, à luz do dia e à vista de todos, em um restaurante em Mayfair. Em seguida disse aos jornais que não era um homem violento e abominava agressões contra mulheres (como aquelas pessoas hilárias que se dizem não-homofóbicas, pra em seguida avacalhar a Daniela Mercury por ela ter explicado à netinha que menina com menina pode).
Pegou mal, como sempre pega nesses casos. Mas o agressor conseguiu baixar ainda mais o nível: nos últimos dias, botou a boca no trombone pra dizer que a ex é viciada em cocaína, em uma ação judicial envolvendo antigas empregadas da família. Calculo que ele tenha feito isso esperando que a opinião pública dissesse: "Ah, tá, se é junkie, tem mais é que descer o cacete mesmo!" Calculo também que esteja alcançando relativo sucesso nessa empreitada.
Nigella é uma musa do prazer gastronômico. Linda, sexy, até exagerada nas manifestações de êxtase ao abocanhar colheradas de delícias hipercalóricas e blasterdeliciosas. Faz isso direto das travessas guardadas na geladeira, sozinha na cozinha, às vezes no escuro, sem servir nem dividir, olhem que safada!
Nessa baixaria da coca, admitiu que já cheirou, mas diz que nunca foi viciada. Admitiu a contragosto, por saber que o mundo cairia matando em cima dela depois disso - nosso planeta tá cheio de gente que se ressente da capacidade alheia em aproveitar a vida, e esses seres vivem em busca dos podres de quem sabe viver pra apontar o dedo. São indivíduos assim que se regozijam ao ler "Higella" na imprensa marrom e comentam: "bem feito, afinal merecia apanhar, drogada demônia!".
É o mesmo tipo de ser humano de quinta categoria que se refere - anonimamente e para terceiros - a outros seres humanos com hashtags como as que eu elenquei acima (e outras muito piores), como se o fato de uma mulher gostar de sexo fosse razão suficiente para expô-la e constrangê-la. Sim, porque é bastante claro que esse tipo de cartaz queima o filme da mulherada, enquanto que para os homens, #TrêsPernas sempre valorizam o passe.
Tem horas em que é mesmo muito difícil manter algum tipo de fé na humanidade.

Nenhum comentário:

Postar um comentário