Lulu, tubby, Nigella, agressão e cocaína
Bode desse assunto do apps que classificam homens e mulheres de acordo
com suas performances sexuais. Esses brinquedos pra mim têm tanta
credibilidade quanto a vejinha: jamais comeria ou deixaria de comer
baseada no que a revista publica.
Vi uma tela de suposta avaliação feminina no tubby esses dias e não entendi patavina: a guria vinha com as hashtags #AnalVoluntário, #MamaMeOlhando #MandaFotoNuaNoWhatsapp
e várias outras indicando que ela adora dar e dá faceira. Mas a nota
era um 7,5 mixuruca. Pô, um currículo desses e passa por média raspando?
Fiquei me perguntando o que precisa fazer pra ganhar um 10. Será que o
caminho é ser ainda mais libertina? Ou eles gostam mesmo é das pudicas,
que não transam antes do terceiro encontro e gozam rapidinho, sem dar
muito trabalho? Fica a dúvida.
Quero acreditar que meus contatos
por aqui (homens E mulheres) não darão ibope pra essas ferramentas, que
têm muito mais cara de desforra dos recalcados do que serviço de
utilidade pública, como a CEO do lulu anda sustentando por aí.
Mas o
que a Nigella tem com isso? Pois bem, meses atrás o mundo viu a deusa
da cozinha passar por maus bocados nas mãos do próprio marido. Charles
Saatchi apertou o pescoço da mulher com violência, à luz do dia e à
vista de todos, em um restaurante em Mayfair. Em seguida disse aos
jornais que não era um homem violento e abominava agressões contra
mulheres (como aquelas pessoas hilárias que se dizem não-homofóbicas,
pra em seguida avacalhar a Daniela Mercury por ela ter explicado à
netinha que menina com menina pode).
Pegou mal, como sempre pega
nesses casos. Mas o agressor conseguiu baixar ainda mais o nível: nos
últimos dias, botou a boca no trombone pra dizer que a ex é viciada em
cocaína, em uma ação judicial envolvendo antigas empregadas da família.
Calculo que ele tenha feito isso esperando que a opinião pública
dissesse: "Ah, tá, se é junkie, tem mais é que descer o cacete mesmo!"
Calculo também que esteja alcançando relativo sucesso nessa empreitada.
Nigella é uma musa do prazer gastronômico. Linda, sexy, até exagerada
nas manifestações de êxtase ao abocanhar colheradas de delícias
hipercalóricas e blasterdeliciosas. Faz isso direto das travessas
guardadas na geladeira, sozinha na cozinha, às vezes no escuro, sem
servir nem dividir, olhem que safada!
Nessa baixaria da coca,
admitiu que já cheirou, mas diz que nunca foi viciada. Admitiu a
contragosto, por saber que o mundo cairia matando em cima dela depois
disso - nosso planeta tá cheio de gente que se ressente da capacidade
alheia em aproveitar a vida, e esses seres vivem em busca dos podres de
quem sabe viver pra apontar o dedo. São indivíduos assim que se
regozijam ao ler "Higella" na imprensa marrom e comentam: "bem feito,
afinal merecia apanhar, drogada demônia!".
É o mesmo tipo de ser
humano de quinta categoria que se refere - anonimamente e para terceiros
- a outros seres humanos com hashtags como as que eu elenquei acima (e
outras muito piores), como se o fato de uma mulher gostar de sexo fosse
razão suficiente para expô-la e constrangê-la. Sim, porque é bastante
claro que esse tipo de cartaz queima o filme da mulherada, enquanto que
para os homens, #TrêsPernas sempre valorizam o passe.
Tem horas em que é mesmo muito difícil manter algum tipo de fé na humanidade.
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