quarta-feira, 17 de setembro de 2014

Aquele de quando eu fiquei trancada

BAH, preciso compartilhar a experiência de quase morte que eu acabo de viver.
Agora sou do lar, né. Fico sozinha em casa o dia todo, estudo, lavo, passo, cozinho e resolvo as treta tudo. Tipo hoje: veio o encanador aqui consertar meu banheiro porque aparentemente, sempre que se toma banho no meu lar, uma torrente desaba sobre o apartamento do meu vizinho de baixo. Beleza, seu Milton arrumou e mandou eu não tomar banho ali por algumas horas. Fui tomar banho no micro banheiro da área de serviço, porque eu tinha acabado de correr às 10h da manhã (coisa que nós, vidas mansas, fazemos amiúde). O banheirinho só tem trinco do lado de fora. Entrei, comecei a pendurar minha toalha bem tranquila - cantarolava, até - quando BUM!: um vendaval repentino bateu a porta e fez cair o trinco. Fiquei ali, trancada numa peça de um metro quadrado, sem ter ninguém pra quem eu pudesse gritar e pedir socorro. Pânico, terror e desespero, dada minha claustrofobia e dado o skype que eu tinha marcado pra dali a 20 minutos. Skype de trabalho, uma coisa que agora aparece de forma esparsa e secundária nessa minha vida de estudos.
Tentei enfiar o dedo no buraco do trinco, mas isso só serviu pra me avacalhar o esmalte do minguinho. Olhei em volta, pros lados, pra cima, pra baixo, à procura de um milagre ou de uma bazooka pra arrombar a maldita porta.
Ali comigo havia uma toalha, um par de havaianas, um xampu, um sabonete e uma vassoura. Pensei: o que McGyver faria no meu lugar? Veio a luz: desatarrachei o cabo da vassoura; usei a saia plástica das cerdas pra quebrar a vidraça que fica na parte de cima da porta (uma pequena vidraça, pela qual eu não passaria do quadril pra baixo nem se estivesse toda besuntada de azeite); arranquei um fiapo da minha toalha, amarrei na ponta do cabo da vassoura; subi na privada e, com a minha nova e improvisada vara de pescar, pesquei o trinco lá de fora, o que exigiu equilíbrio e olho bom, ou seja, precisei controlar a tremedeira do medo, como um karatê kid resoluto.
Saí pra liberdade e pra uma nova vida fora do cativeiro! Me abri pro meu engenhoso instinto de sobrevivência! Agora ninguém me segura!
Pronto, era isso, agora vou tratar do almoço.

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