2013
Meu ano foi enorme. Nele couberam algumas de mim. Coube desencanto e
coube canto de sereia. Couberam viagens transcontinentais e expedições
por dentro da minha cabeça no sofá da sala. Coube (e cabe) sempre mais
saudade. Coube desamor e coube reamor. Coube um cachorro. Coube
paciência, coube rebeldia. Como coube coisa dentro desse ano! Agora tá
gordo, pesado, hipertenso e flatulento. Bendita hora de sair de cena.
2014
Quero ir-me da Bahia, mas sem fechar a porta. Só encostar de leve, ou
trocar essa tal porta por uma cortina de miçanga. Quero sempre ter no
meu mundo espaço pro tropical, pra malandragem, pra leseira - mas
prefiro que isso não me cause transtornos psicológicos e/ou
esquizofrenia. Que apenas me relaxe e me muna de perspectiva, me impeça
de endurecer e azedar além da conta.
Quero que no meu dia a dia, as
coisas funcionem, os amigos se encontrem, o tempo vire, os projetos
saiam do papel, as conexões se estabeleçam e existam mais opções de
cerveja para além de skol, devassa e nova schin.
Quero que Porto
Alegre esteja logo ali, e que de vez em quando eu decida aparecer na
casa da minha vó de surpresa, com uma florzinha roubada do canteiro
alheio na mão.
Quero voltar a estudar, pra informar melhor essa minha vontade de mudar o mundo.
Quero fazer aulas de alguma coisa completamente inútil, lúdica e bela,
como tocar cítara ou saxofone, dançar sapateado ou flamenco, desenho,
escultura, slackline. É parte fundamental do meu plano que a tarefa
eleita não seja uma aspiração profissional, uma obsessão competitiva,
nem represente qualquer possibilidade concreta de se tornar lucrativa.
Quero fazer o bem. Sem demagogias, só um sentimento genuíno de amor ao
próximo. É tão fácil aspirar àquilo que a gente não tem, que às vezes
cometemos o absurdo de esquecer que a imensa maioria das pessoas neste
mundo precisa desesperadamente de muito menos. Do basicão, mesmo. De
carinho, atenção, de um olhar mais demorado. De arroz, feijão, fralda e
leite em pó.
Quero escrever um livro.
Quero ter um bebê.
E chega de tant
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